A possível transformação do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) na Universidade Federal de Ciência e Inovação de Minas Gerais (UFCI/MG) poderá representar uma nova etapa para a educação pública em Araxá e nos municípios da microrregião.

A mudança está prevista no Projeto de Lei nº 4.952/2026, aprovado pelo Senado Federal e encaminhado para sanção presidencial. A proposta prevê a preservação da estrutura e da experiência acumulada pelo CEFET-MG, ao mesmo tempo em que amplia a autonomia institucional e as possibilidades de expansão acadêmica.
Em pronunciamento, a diretora do Campus Araxá destacou que a transformação não representa apenas uma alteração de nome, mas uma mudança estrutural capaz de ampliar o impacto social, científico e econômico da instituição.
Mais autonomia e possibilidade de investimentos
Com o novo modelo universitário, a instituição deverá contar com maior autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial. Na avaliação da direção, essa condição poderá facilitar a captação de recursos para a ampliação de laboratórios, salas de aula e estruturas voltadas à pesquisa e à inovação.
Para Araxá, cidade com forte presença dos setores industrial, tecnológico e mineral, a nova universidade poderá atuar de forma ainda mais próxima das empresas e dos arranjos produtivos locais.

“A expectativa é de que pesquisas desenvolvidas no campus contribuam para a solução de problemas reais da indústria e para o desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas à mineração, à metalurgia, à automação, à sustentabilidade e a outras áreas estratégicas para a economia regional”, destacou a professora Renata Calciolari, diretora do Campi Araxá
Expansão de cursos e oportunidades
Entre os impactos esperados está a possibilidade de ampliação da oferta de cursos de graduação e da criação de programas de pós-graduação, como mestrados e doutorados avaliados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Na prática, a medida, continua a diretora, poderá permitir que estudantes de Araxá e de cidades vizinhas tenham acesso a uma trajetória acadêmica mais completa sem precisar deixar a região. “O aluno poderá ingressar no ensino técnico, avançar para a graduação e, futuramente, seguir para a pós-graduação dentro da própria instituição”, complementou.
A direção também prevê aumento no acesso a editais de pesquisa, bolsas de iniciação científica e tecnológica e projetos de extensão voltados à comunidade.

Ensino técnico será mantido
Apesar da transformação em universidade federal, a formação técnica de nível médio deverá continuar sendo uma das bases da instituição. Segundo a diretora, a chamada verticalização do ensino será preservada.
“Esse modelo permite que o estudante tenha contato com diferentes níveis de formação em uma mesma instituição, desde o ensino técnico até a pós-graduação”. Para a comunidade, a manutenção dessa característica é considerada fundamental para garantir que a nova universidade continue atendendo às demandas de formação profissional da região.
Reflexos para a microrregião
A mudança também poderá beneficiar municípios próximos a Araxá. Com a ampliação de cursos, projetos e parcerias, a instituição poderá atrair estudantes, pesquisadores e profissionais de diferentes cidades do Alto Paranaíba e de outras regiões de Minas Gerais.
Além do impacto educacional, a expansão das atividades acadêmicas tende a movimentar setores como comércio, serviços, transporte, moradia e alimentação. A presença de novos projetos de pesquisa e inovação também poderá estimular a criação de soluções e negócios ligados à tecnologia.

Visão de futuro
A diretora do Campus Araxá afirmou que a visão para a nova fase é construir um ecossistema educacional aberto à comunidade, no qual o estudante possa iniciar a formação técnica e alcançar níveis mais avançados de qualificação no mesmo campus.
A instituição deverá iniciar os procedimentos de transição regulatória e estatutária com diálogo entre estudantes, professores, servidores técnicos, empresas e representantes da sociedade.
“Se confirmada a transformação, Araxá poderá se consolidar ainda mais como um polo regional de educação, ciência e inovação, fortalecendo a formação profissional e ampliando a participação da instituição no desenvolvimento econômico e social da microrregião”, concluiu Renata Calciolari.



