Atualmente, o estado tem 31,6% de oferta de EMI nas escolas públicas, e deverá chegar
em pelo menos 50% nos próximos 5 anos

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Enquanto o Brasil discute a aceleração da educação em tempo integral com o novo Plano Nacional de Educação (PNE), Minas Gerais apresenta um cenário incomum de descontinuidade. Dados do Censo Escolar 2025 revelam que o estado, que já esteve mais avançado na implementação do Ensino Médio Integral (EMI), sofreu uma queda expressiva na oferta de vagas e escolas nos últimos três anos, sinalizando uma perda de prioridade política que pode reduzir as oportunidades para o futuro dos jovens mineiros.

Em 2022, Minas Gerais possuía 50,4% de suas escolas oferecendo o modelo integral. Em 2025, esse número caiu para 31,6%. O mesmo padrão de queda é observado nas matrículas: o estado saiu de um patamar de 21,4% dos alunos em tempo integral para apenas 15,6% no mesmo período. O movimento de Minas Gerais caminha na contramão da tendência nacional e acende um alerta sobre o aumento das desigualdades educacionais dentro do estado.

O Ensino Médio Integral no Brasil

Em todo o país, o Ensino Médio Integral tem se consolidado cada vez mais como uma das políticas mais potentes de redução das desigualdades no país, entregando uma diminuição no abandono escolar e, consequentemente, o aumento de perspectivas mais positivas e novas chances para os jovens brasileiros sonharem mais alto sobre o seu futuro. Isso porque, mais do que ampliar o tempo em sala de aula, o EMI promove uma formação focada no protagonismo juvenil e no projeto de vida, com resultados sociais comprovados que mostram mais tempo de estudo e mais proficiência (aprendizado) que impactam diretamente em maior acesso ao Ensino Superior e, consequentemente, em maiores rendas no futuro.

Estudos e análises recentes mostram os benefícios que já estão sendo registrados ao longo dos últimos anos:

– Redução da violência:
No estado de Pernambuco, o EMI reduziu em até 50% os homicídios de jovens de 15 a 19 anos em cidades que têm divisa com outros estados; O impacto é de 30 a 40% a menos nas taxas de homicídios ao longo de 10 anos.

– Saúde reprodutiva e equidade de gênero: 
A cada mil jovens no EMI, há 114 adolescentes grávidas a menos; +737 mulheres no ensino superior e +529 mulheres empregadas.

– Acesso ao mercado de trabalho: 
Um aumento de 10% nas matrículas no Ensino Médio Integral (EMI) no município gera, em média, um aumento de 3% nos empregos no setor formal do município, com impacto racial relevante: para estudantes pretos, pardos e indígenas, o efeito na geração de empregos é três vezes maior (4,5%) em comparação aos estudantes brancos e amarelos (1,5%). Em estados como o Ceará, o impacto da ampliação de matrículas EMI é ainda mais elevado, com uma expansão de até 9,8% nas admissões formais.

– Retorno x investimento: 
O benefício socioeconômico da política é seis vezes maior que o custo. Além disso, estima-se que o valor da remuneração recebida ao longo de toda vida produtiva de um jovem estudante que tenha acesso ao EMI será R$ 64 mil a mais em relação ao que ele receberia caso não tivesse tido acesso à educação integral.

O novo PNE e o desafio da retomada em Minas Gerais

Recentemente, foi aprovado o novo Plano Nacional de Educação (PNE), que norteará as políticas públicas pelos próximos 10 anos. O plano define o ensino integral como política estruturante e estabelece metas claras para a universalização da oferta. Para Minas Gerais, o desafio da próxima década não é apenas crescer, mas recuperar o espaço perdido e reverter a lógica de descontinuidade que se instalou na rede pública.

Para retomar o crescimento, Minas Gerais pode se espelhar em estados que mantiveram a constância política, como Pernambuco (63% de oferta e berço da política) e Ceará (75% de oferta), ou no Piauí, que alcançou 100% de oferta em apenas quatro anos através de uma priorização estratégica. O exemplo dessas redes mostra que a expansão do EMI depende, acima de tudo, de decisão política, e que entrará nos debates governamentais em ano eleitoral.

*Fonte: Censo Escolar (rede estadual) – escolas com oferta presencial de ensino médio.
**Critério: Consideram-se, em tempo integral, as matrículas em jornada integral no critério INEP somente em escolas com ao menos uma turma com carga horária semanal igual ou superior a 35h.
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