Novo livro de Lisa Alves conta as aventuras da garota Maria Antônia, inclusive em suas orações noturnas.
Lançamento será no dia 18/06, em Araxá

Uma pergunta que há séculos inquieta as pessoas de diferentes religiões, ou mesmo sem religião, também aflige Maria Antônia, 11 anos, protagonista do novo livro infantojuvenil da Cepe Editora: quem é Deus? A resposta particular da garota está em A menina que não queria ver Deus, de Lisa Alves (texto) e Elisa Carareto (ilustração), livro vencedor do 5º Prêmio Cepe Nacional de Literatura Infantil e Infantojuvenil, que ganha evento de lançamento no dia 16 de junho (quinta-feira), em Araxá, terra natal da escritora. O lançamento terá três momentos, uma leitura do livro, por Lisa Alves, uma mesa redonda com a psicanalista infantil Luciana Donadelli e a sessão de autógrafos.
Perspicaz, Maria Antônia procura a definição do que venha a ser Deus a partir do que vive na escola e na família. No livro, de 14 capítulos e 120 páginas, durante o dia, a menina é uma observadora atenta e uma voz questionadora, seja em relação aos acontecimentos dentro casa, como violência doméstica e alcoolismo, seja nos temas filosóficos relacionadas à origem do ser humano postos em debate na sala de aula. À noite, em suas orações, ela conversa com o Todo-Poderoso, desde possíveis soluções para os problemas da sua família ao sexo de Deus. “Tudo que nasce, que brota vida, é fêmea. A galinha bota ovo. As vacas dão leite. […] E aqui em casa é igual. A mamãe, a vovó, a tia… São elas que cuidam, que mantêm tudo funcionando. Então, se o Senhor é quem criou tudo, porque o Senhor não seria… bem, uma…”, questiona.

Apesar da demonstração de intimidade com Deus, a menina pede para Ele não aparecer. “Eu acho desnecessário”, justifica na primeira oração do livro. O argumento é baseado na realidade familiar. “A gente pode ser amigos à distância. Relacionamentos assim duram mais, tipo a minha tia e o namorado dela do Japão, que nunca brigam”, explica. Ao fim do livro, após viver momentos emocionalmente difíceis, a garota permanece firme quanto à distância. Mas abre uma brecha para Deus aparecer. “Eu até permito que você apareça como as coisas mais simples: como os bichos, a terra, o vento”, diz.
A escritora Lisa Alves encontrou inspiração em várias fontes para escrever. “A menina que não queria ver Deus nasce das minhas inquietações, das muitas meninas que eu fui, e de tantas outras que encontrei ao longo da vida”, revela. Mas não apenas isso. Segundo ela, o livro também nasceu do esforço de encarar a própria origem “Cresci tentando caber em narrativas que não faziam o menor sentido para mim, enquanto algo insistia em dizer que havia outra história possível, ainda não dita”, esclarece, relatando que, assim como Maria Antônia, a menina Elisa tentava reorganizar o mundo dentro de casa, como se fosse possível negociar a realidade, administrar o caos familiar.

Ao avaliarem a obra, os jurados do 5º Prêmio Cepe Nacional de Literatura Infantil e Infantojuvenil, os escritores Ana Estaregui, Nina Rizzi e Thiago Correa, destacam a narrativa como inovadora. “Estruturada em múltiplos formatos – diálogos, redações, cartas e sonhos – enriquece a experiência de leitura, permitindo diferentes níveis de imersão”, explicam. Eles afirmam ainda que o livro respeita a inteligência do público infantil ao combinar profundidade temática, desenvolvimento psicológico da menina e linguagem acessível, transformando inquietações universais em uma narrativa cativante e emocionalmente ressonante.
De acordo com a editora-assistente da Cepe, Gianni Gianni, a A menina que não queria ver Deus é um livro com muitas camadas de questionamentos no que diz respeito às relações humanas, às dinâmicas sociais e até mesmo às narrativas míticas do mundo. “Narrativas protagonizadas por crianças questionadoras costumam ser marcantes. Nesta história, a estrela é a menina Maria Antônia, personagem desenvolvida de forma delicada e divertida pela autora Lisa Alves”, afirma. Quanto às ilustrações de Elisa Carareto, Gianni diz que “a publicação incorporou a sensação de estar diante de um caderno da personagem, tomado também por suas reflexões visuais, criadas com maestria pela ilustradora.”

Para ilustrar a obra, Elisa encontrou referências nos cadernos de desenho. “Sempre olho os dos meus amigos e também dos meus sobrinhos, como também os desenhos em pequeno formato que as crianças fazem tão bem”, revela. A ilustradora usou as canetas hidrográficas, aquarela, papéis diversos, colagens analógica e digital para dar forma aos desenhos do livro, como figuras humanas, plantas, animais, tanques de guerra, balões, sóis e estrelas.
Sobre as Autoras
Escritora e videoartista, Lisa Alves é autora de três livros de poesia. Estreou com Arame farpado (Lug Editora, 2015) e sete anos depois publicou Quando tudo for possível, ou uma declaração (Mirada, 2022), que veio acompanhado por um audiobook com os poemas publicados na obra e interpretados pela própria autora. O terceiro título, Jardim de Pragas, data de 2025, com selo da editora Patuá. Com A menina que não queria ver Deus (Cepe, 2026), ela ingressa na produção dos livros infantojuvenis.
A menina que não queria ver Deus é o oitavo livro ilustrado por Elisa Carareto e o primeiro pela Cepe. Antes, ela assinou obras como Enquanto não me lembro (2024), Maremoto (2020) e A avó amarela (2018), escritos por Gabriela Romeu, Flávia Reis e Júlia Medeiros, respectivamente, e publicadas pela ÔZé Editora. A Avó amarela rendeu, em 2019, o Prêmio Jabuti de livro infantil, enquanto Maremoto, em 2021, Prêmio FNLIJ na categoria melhor ilustração. Com estes dois livros, ela conquistou vaga para a Bienal da Ilustração em Bratislava (Eslováquia). No ano passado, uma de suas ilustrações de Enquanto não me lembro ficou entre as vencedoras da 59ª Exposição de Ilustradores da Feira do Livro Infantil de Bolonha (Itália).

– Serviço:
Lançamento do livro A menina que não queria ver Deus, de Lisa Alves (Texto) e Elisa Carareto (Ilustração)
Quando: 18 de junho de 2023, quinta-feira
Hora: 18 h
Local: Livraria Nobel Araxá, Rua Dom José Gaspar, 267, Centro, Araxá/MG.
Preço do livro: R$ 60,00 (impresso)



