A mineradora e fabricante de fertilizantes EuroChem confirmou que vai adotar o regime de layoff no Complexo Mineroindustrial de Serra do Salitre, localizado na região do Alto Paranaíba, em Minas Gerais. A medida resultará na suspensão temporária dos contratos de trabalho de cerca de 450 colaboradores, com início programado para o dia 1º de outubro de 2026.
A decisão foi formalizada após negociação e aprovação em assembleia com o Sindicato Metabase, que representa a categoria na região. O objetivo principal do acordo é redimensionar temporariamente o ritmo de produção da fábrica e, fundamentalmente, evitar demissões em massa diante de uma crise no cenário macroeconômico global.

Impacto e garantias aos trabalhadores
A suspensão temporária vai atingir metade do quadro de funcionários da subsidiária Salitre Fertilizantes, que conta atualmente com cerca de 900 trabalhadores diretos.
O layoff terá uma duração inicial de três meses, podendo ser prorrogado por até cinco meses, a depender da recuperação do mercado. De acordo com o sindicato e com os termos da legislação trabalhista brasileira para essa modalidade (artigo 476-A da CLT):
– Manutenção do vínculo:
Os 450 trabalhadores afastados continuam registrados na empresa.
– Benefícios assegurados:
Todos os benefícios corporativos vigentes, como plano de saúde e cestas de alimentos, serão mantidos integralmente durante o período.
– Bolsa de Qualificação:
Os funcionários receberão uma bolsa de qualificação profissional custeada pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e complementada pela empresa.
– Treinamento obrigatório:
Durante o afastamento, as equipes deverão participar de cursos de requalificação oferecidos pela EuroChem, preparando-se para o eventual retorno às operações.
Crise global do enxofre motivou a decisão
A EuroChem justificou a medida apontando para severos desafios operacionais e comerciais que afetaram a competitividade da planta mineira. O principal fator é a escassez e a forte alta de preços do enxofre no mercado internacional, uma matéria-prima indispensável para a produção de fertilizantes fosfatados.
Aliado ao custo inflacionado dos insumos globais, o complexo enfrenta margens pressionadas e altos custos logísticos e operacionais internos, o que forçou a companhia a desacelerar o ritmo de processamento até que as condições de abastecimento e preços sejam normalizadas.
O complexo de Serra do Salitre é uma das operações mais estratégicas do país para a redução da dependência brasileira da importação de fertilizantes. A direção da EuroChem informou que segue monitorando o mercado e projeta a retomada gradual da capacidade total da planta assim que o cenário econômico global apresentar estabilidade.



