Radiografia do mercado de trabalho feita pelo IBGE aponta crescimento do estado, mas desafios salariais persistem

Minas Gerais consolidou sua posição como um dos pilares da economia brasileira em 2024. Segundo dados recentes do IBGE, o estado apresenta um cenário de expansão no número de empresas e postos de trabalho. No entanto, o relatório também revela disparidades importantes, especialmente no que diz respeito aos salários e à desigualdade entre diferentes setores e gêneros.
Minas em destaque nacional
Com mais de 1 milhão de empresas ativas — um crescimento de 6,5% em comparação ao ano anterior —, Minas Gerais ocupa o segundo lugar no ranking nacional de estabelecimentos formais, ficando atrás apenas de São Paulo. Ao todo, o estado concentra 9,7% de todas as empresas formais do país, empregando cerca de 6,7 milhões de pessoas.
O cenário salarial
O salário médio mensal dos trabalhadores assalariados em Minas Gerais atingiu R$ 3.387,03, representando um aumento de 6,2% em relação a 2023. Apesar do avanço, a média mineira ainda se mantém abaixo da nacional, que é de R$ 3.932,45.
O setor de eletricidade e gás lidera o ranking de melhores remunerações no estado, com uma média impressionante de R$ 9.986,86. Por outro lado, o comércio, embora seja o setor que mais emprega em Minas, aparece com o terceiro menor salário médio, evidenciando um desafio na valorização dessa força de trabalho.
A importância da escolaridade
A educação continua sendo o principal fator de diferenciação na renda. Trabalhadores com nível superior ganham, em média, R$ 6.350,76 — um valor 2,5 vezes maior do que o recebido por aqueles sem formação superior.
Curiosamente, entre 2022 e 2024, os salários de quem não possui curso superior tiveram um crescimento percentual maior (14,6%) do que os de quem possui (10,5%), sugerindo um movimento de recuperação da base da pirâmide salarial.
Desigualdade de gênero e setores
Os dados do IBGE também trazem um recorte importante sobre a distribuição de gênero no mercado:
– Presença masculina:
Os homens representam 56% do pessoal assalariado, com predominância marcante na construção civil (85,9%) e transportes (82,6%).
– Presença feminina:
As mulheres somam 44% da força de trabalho assalariada, concentrando-se em áreas como saúde, educação e serviços sociais.
Um dado positivo é a forte presença feminina na administração pública, onde as mulheres ocupam 65,3% dos cargos. Além disso, o setor público oferece, em média, salários mais elevados (R$ 4.740,92) do que a iniciativa privada (R$ 2.981,05), sendo também o maior empregador de profissionais com nível superior.
O que os dados nos dizem?
O cenário de 2024 mostra um estado vibrante e em crescimento, mas que ainda precisa enfrentar o desafio da desigualdade salarial. A escolaridade segue sendo o caminho mais curto para a ascensão econômica, enquanto a distribuição de gênero nos cargos ainda reflete divisões tradicionais que o mercado de trabalho começa a questionar.
Para mais informações sobre esse assunto acesse a página do IBGE na Internet – www.ibge.gov.br ou diretamente na Agência de Notícias IBGE – http://agenciadenoticias.ibge.gov.br/



