Projeto criado pela ex-atleta e empreendedora social Patrícia Moço foi reconhecido em cerimônia, em Araxá; selo consolida o projeto como iniciativa replicável para além do espaço físico e transforma fundadora em pioneira no estado

Um grande passo de reconhecimento das iniciativas ESG em Minas Gerais foi dado. Araxá será palco, no próximo dia 18 de junho, de um encontro que marca um novo capítulo para a Ecosense e para a agenda de sustentabilidade no estado. Criado pela ex-atleta de vôlei e empreendedora social Patrícia Moço, o projeto será oficialmente reconhecido com o Selo ODS Brasil, em cerimônia realizada no Grande Hotel Termas de Araxá, com coorganização da CIMINAS e presença de jornalistas, lideranças locais e convidados estratégicos.

A certificação reconhece organizações comprometidas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU e valida iniciativas capazes de transformar propósito em prática, com impacto social, territorial e institucional.

No caso da Ecosense, o reconhecimento vem acompanhado de outro marco: Patrícia Moço passa a atuar como a primeira — e até então única — Agente de Mudança Territorial Estadual do Selo ODS Brasil em Minas Gerais, habilitação concedida a lideranças com capacidade de articulação, mobilização e fortalecimento de agendas de impacto.

Na prática, a conquista coloca uma iniciativa nascida em Araxá dentro de uma rede nacional de sustentabilidade e amplia o papel da Ecosense para além do espaço físico. O projeto passa a ser reconhecido não apenas pelo que realiza localmente, mas pela capacidade de inspirar, articular e expandir práticas de ESG em todo o território mineiro e brasileiro.

“Eu sempre acreditei que sustentabilidade não é discurso, é rotina. Receber o Selo ODS Brasil e ser habilitada como Agente de Mudança Territorial em Minas Gerais é uma responsabilidade enorme, porque mostra que o trabalho que nasceu no interior pode dialogar com o país inteiro. É um reconhecimento, mas também é um chamado para construir junto”, afirma Patrícia Moço, fundadora da Ecosense.

Saúde, inclusão e desenvolvimento humano como prática cotidiana

O reconhecimento do Selo ODS Brasil destaca especialmente a atuação da Ecosense nos campos da saúde, bem-estar, inclusão e redução das desigualdades. De acrodo com o Instituto Vozes da Inclusão, certificador nacional do Selo ODS Brasil, a Ecosense agora “se consolida como um espaço que transcende a prática esportiva ao integrar saúde, convivência, inclusão e desenvolvimento humano de forma estruturada e acessível à comunidade”.

A certificação evidencia o alinhamento da Ecosense ao ODS 3 – Saúde e Bem-Estar, pela promoção da vida saudável por meio do esporte, do movimento, da socialização e da construção de hábitos que impactam positivamente o equilíbrio físico e mental. Também reconhece a aderência ao ODS 10 – Redução das Desigualdades, pela atuação voltada à inclusão, acessibilidade e participação de diferentes públicos em igualdade de condições.

Esse reconhecimento ganha força porque a Ecosense não foi estruturada como um projeto pontual. Desde a origem, a iniciativa trabalha com a ideia de permanência, método e convivência. Crianças, jovens, adultos, pessoas com deficiência, pessoas com autismo, atletas de base e famílias participam de atividades que aproximam esporte, cultura e sustentabilidade de forma integrada.

“O ESG que fazemos é o ESG vivido. É criança do espectro autista dentro da colônia de férias, é esporte acessível, é projeto cultural gratuito, é educação ambiental na prática, é família sendo acolhida. O selo vem para dizer que isso é, sim, Agenda 2030. Que isso é desenvolvimento sustentável acontecendo no território”, reforça Patrícia.

De espaço esportivo a metodologia de impacto

Inaugurada em outubro de 2021, a Ecosense nasceu de um processo de virada pessoal e profissional de Patrícia Moço. Ex-jogadora de vôlei e administradora, ela atuava no ambiente corporativo quando, durante a pandemia, passou a questionar o próprio caminho e o legado que queria construir.

O que começou como um espaço esportivo acessível em Araxá evoluiu para uma metodologia que une esporte, cultura, inclusão, sustentabilidade e governança. A Ecosense passou a abrigar atividades esportivas, ações socioeducativas, projetos culturais, iniciativas ambientais e eventos voltados à convivência, ao bem-estar e à formação cidadã.

Entre os projetos que ajudaram a consolidar essa trajetória estão o Ecoarte, realizado via Lei Rouanet, corridas inclusivas, ações de conscientização ambiental, eventos esportivos com pegada sustentável e iniciativas voltadas à integração entre crianças neurotípicas e atípicas. A estrutura física também traduz esse cuidado, com soluções pensadas para acessibilidade, sustentabilidade e acolhimento.

“O que desenvolvemos, na verdade, é um movimento. A sustentabilidade que propomos na Ecosense é integradora, diversa e acessível. A ideia não é ser uma ilha, mas ser um catalisador que pode acontecer em qualquer lugar, com qualquer pessoa”, afirma.

Araxá como ponto de partida

A habilitação de Patrícia como Agente de Mudança Territorial Estadual amplia o alcance da Ecosense e reforça uma ideia que vem ganhando corpo em sua trajetória: projetos relevantes de ESG não precisam nascer nos grandes centros. Podem surgir no interior, a partir de necessidades reais, lideranças locais e soluções construídas com a comunidade.

A função de agente territorial envolve representação institucional, mobilização de redes, fortalecimento de parcerias e estímulo à participação de organizações públicas, privadas e sociais em processos ligados à Agenda 2030. O objetivo é aproximar municípios, empresas, universidades, entidades e lideranças de uma pauta comum: desenvolvimento sustentável com governança e impacto concreto.

Reconhecimento chega em momento de amadurecimento

O Selo ODS Brasil chega poucos meses depois de outro reconhecimento importante: em 2025, a Ecosense foi reconhecida pela UBQ (União Brasileira para a Qualidade) na categoria Micro e Pequenas Empresas, no Prêmio Melhores em Gestão Minas Gerais – Ciclo 2025, em cerimônia realizada em Belo Horizonte com apoio institucional da FIEMG.

Durante o processo de avaliação, chamou atenção o fato de a Ecosense já ter sido estruturada desde o início com pilares sólidos de gestão. Essa combinação entre impacto social e maturidade organizacional reforça o posicionamento da iniciativa como um case mineiro de ESG com método, e não apenas com discurso.

“Eu sempre disse que dá para conciliar impacto social com negócio. Agora estamos mostrando que também dá para conciliar isso com governança, com indicadores e com uma visão de futuro.”, afirma Patrícia.

Para Moço, a certificação da Ecosense e sua habilitação pioneira como agente estadual representam uma oportunidade para ampliar o debate sobre ESG no interior mineiro. Em vez de tratar sustentabilidade como uma pauta abstrata, o caso mostra como saúde, esporte, cultura, inclusão e governança podem se transformar em uma metodologia aplicável a diferentes territórios.

“Queremos levar essa metodologia adiante, aproximar mais pessoas, criar pontes e mostrar que impacto social também pode ser organizado, mensurado e replicado”, conclui Patrícia. 

Sobre a Ecosense

A Ecosense é uma metodologia nascida em Araxá (MG) que une esporte, cultura e sustentabilidade para promover inclusão real e bem-estar. Criada pela empreendedora social Patrícia Moço, ex-atleta e ex-executiva, a Ecosense oferece projetos esportivos, culturais e socioambientais com infraestrutura 100% acessível e visão de impacto territorial. O modelo é replicável e pode ser implementado em outras cidades, em parceria com poder público, empresas e universidades, fortalecendo a agenda ESG a partir do local.

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