Tema foi debatido em reunião na Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia
da Assembleia Legislativa de Minas Gerais

Pesquisadores e instituições de ensino defendem criação de um centro de pesquisa sobre terras raras no Estado. O projeto, a ser instalado em Poços de Caldas, no sul de Minas, buscaria desenvolver tecnologia para beneficiar esses minerais e ainda monitorar os impactos desta exploração em Minas Gerais. O assunto mobiliza a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos usados na fabricação de produtos de alta tecnologia, como celulares, carros elétricos e turbinas eólicas. Apesar do nome, esses minerais não são necessariamente escassos. A dificuldade está em achar cada um deles em concentrações que viabilizem a exploração econômica, ou seja, a extração e processamento com impactos ambientais dentro dos limites legais.
Segundo as pesquisas, o planalto vulcânico do sul de Minas tem potencial para esse tipo de exploração. A região é alvo de empreendimentos em fase de licenciamento. Por isso, pesquisadores defendem a criação do CITAR, Centro de Inteligência e Tecnologias Avançadas em Terras Raras, que ficaria em Poços de Caldas.
A iniciativa une o Instituto Federal do Sul de Minas e a Universidade Federal de Alfenas e visa desenvolver tecnologias para processar os minerais, formar profissionais e agregar valor à cadeia produtiva, como explica o diretor-geral do Instituto Federal do Sul de Minas, Rafael Neves. Esse primeiro início do CITAR está demandando uma ordem de 40 milhões de investimentos para laboratórios e infraestruturas de equipamentos. “Se a gente já evoluir no refino dos óxidos místicos para elementos mais valiosos, como o térreo, por exemplo, a gente já vai ter um ganho muito grande na cadeia e uma produção nacional com vistas à soberania”, destacou.
Além do desenvolvimento tecnológico, o CITAR atuaria de forma independente para monitorar impactos da mineração, como a supressão de vegetação, a produção de resíduos e os efeitos do ruído sobre a fauna.
O superintendente substituto do IBAMA no Estado, Júnior Augusto Silva, ressalta que o monitoramento do impacto desses empreendimentos deve durar por muitos anos. “Porque são programas de monitoramento a longo prazo e isso é uma realidade, eu acho, que o setor produtivo tem que entender também. E os monitoramentos de qualidade de água, estudos hidrogeológicos, hidrogeomorfológicos e monitoramentos de espécies da fauna ou da flora, eles vão ter continuidade adfinita e isso muitas vezes. Por quê? Porque você tem que entender a dinâmica do território”.
O debate sobre a criação do CITAR ocorreu a pedido das deputadas Beatriz Serqueira e Bela Gonçalves, ambas do PT.
C/ ALMG



