A Associação Cultural de Congados e Moçambiques de Araxá realizou, no último domingo (30), a cerimônia de coroação da nova corte da festividade. O evento reuniu tradição, fé, música e história, fortalecendo uma das mais importantes manifestações culturais e religiosas do município.

A celebração contou com a participação de congadeiros, moçambiques, familiares, visitantes e representantes que mantêm viva essa tradição há décadas. O encontro também marcou a união de diferentes gerações em torno da ancestralidade e da cultura negra.

Cortejo começou com a tirada dos mastros

A programação teve início nas primeiras horas da manhã, na residência de Teresa, Rainha Bordon, conhecida como Rainha dos Mastros. No local, os Ternos de Congada e Moçambique se reuniram para a tradicional tirada dos mastros.

Os símbolos sagrados foram conduzidos em cortejo até o bairro São Pedro, ao som dos grupos Moçambique Raiz Africana, Moçambique Verde e Branco de Araxá e Moçambique Herança Negra, de Campos Altos, que participou como grupo visitante.

Durante o percurso, os participantes foram recebidos na residência de Valdete, onde foi servido um café da manhã. O momento de confraternização contou também com a presença dos Reis Perpétuos de Araxá, Maria Marta Caetano e João Marques Caetano, considerados importantes guardiões da tradição local.

Nova corte foi coroada

A partir das 10h, a programação se concentrou no Cruzeiro de São Benedito, na Praça do Goiano, no bairro São Geraldo. A cerimônia de coroação foi conduzida pelo sacerdote de matriz africana, Hungbono Rodrigo, sob a liderança do Rei da Coroa Grande, Jaime Byron, e da Rainha da Coroa Grande, Alexandra Maria.

O rito oficializou os novos representantes da festividade:

– Rei Congo: Luiz Gonzaga da Silva;
– Rainha Conga: Marlene Apolinário;
– Princesa Isabel: Maryleia Santos;
– Marquesa: Fernanda Vaz
– Rainha Bordon Tereza Cristina
– Rei Adrian Samarone

Luiz Gonzaga da Silva e Marlene Apolinário foram reconhecidos pelo trabalho e pela dedicação à preservação da cultura dos Congados em Araxá. Maryleia Santos assumiu o título de Princesa Isabel com a missão de representar a história e a luta do povo negro. Fernanda Vaz foi coroada com o compromisso de fortalecer a união e a devoção à fé afro-brasileira.

Preservação de uma tradição de seis décadas

A cerimônia também contou com a presença de Toninho, Rei Congo Emérito de Araxá e um dos fundadores do festejo, e de Vânia Lúcia, Rainha Conga Emérita. A participação dos antigos representantes reforçou a ligação entre a história da manifestação e a atual geração responsável por sua continuidade.

O Congado de Araxá já soma 60 anos de história, reunindo manifestações religiosas, música, dança, cortejos e homenagens à ancestralidade africana.

Após a cerimônia, a programação foi encerrada com um almoço comunitário no Quartel da Mocidade, reunindo capitães, dançadores, reis, rainhas e visitantes.

Para a Associação Cultural de Congados e Moçambiques, a realização do evento reafirma o compromisso de Araxá com a valorização e a preservação de sua identidade cultural, negra e religiosa.

A celebração também ocorreu próxima ao Dia Internacional das Pessoas Afrodescendentes, lembrado em 31 de agosto. A data, instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), reconhece a história, a resistência, a herança cultural e as contribuições da população negra em todo o mundo.

Em Araxá, a tradição dos Congados segue sendo transmitida entre gerações, com o apoio de iniciativas culturais como o Ponto de Cultura Movart, que contribui para ampliar o acesso à arte, à memória e às manifestações culturais do município.

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