O Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), deu um passo definitivo para salvaguardar a memória do Alto Paranaíba. O Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep) aprovou, nesta quinta-feira (22), o tombamento oficial da histórica Casa de Dona Beja, localizada no coração de Araxá.

A deliberação ocorreu em reunião realizada no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte. Com essa decisão, o Estado assegura a proteção legal e a preservação contínua de uma das edificações mais emblemáticas da região, profundamente ligada à trajetória de Anna Jacintha de São José, a Dona Beja, figura que desafiou os padrões morais conservadores de sua época e exerceu forte influência social, econômica e política, inclusive em episódios de relevo nacional como a Revolução Liberal de 1842.

Foto Crédito: Ministério Público de Minas Gerais/Divulgação

Arquitetura do Século 19 e Protagonismo Feminino

Erguida entre as décadas de 1820 e 1830, a edificação — também amplamente conhecida pela comunidade local como Pensão Tormim — carrega traços arquitetônicos marcantes do período colonial e imperial urbano.

De acordo com a Secult-MG, o tombamento do imóvel cumpre um papel duplo na preservação cultural mineira:

– Memória Urbana:
Garante a integridade física de uma estrutura que testemunhou o desenvolvimento e a consolidação do município de Araxá ao longo de dois séculos.

– Protagonismo Feminino:
Imortaliza a importância histórica de Dona Beja, consolidando o espaço como um marco da força e da liderança da mulher na história de Minas Gerais.

A partir da aprovação do Conep, o imóvel passa a contar com diretrizes rígidas de conservação e restauro, inserindo de forma definitiva a Casa de Dona Beja no mapa oficial de patrimônios protegidos pelo Estado de Minas Gerais.

Tombamento

O tombamento oficial da Casa de Dona Beja (Pensão Tormim) pelo Governo de Minas Gerais vai muito além de uma simples proteção de paredes e telhados do século 19. A decisão do Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep) gera um profundo impacto cultural e histórico, redefinindo a identidade de Araxá e fortalecendo o turismo de memória na região.

– Justiça Histórica e o Protagonismo Feminino

O principal impacto histórico do tombamento é a institucionalização do protagonismo feminino no século 19. Anna Jacintha de São José viveu em uma época em que as mulheres eram silenciadas e restritas ao ambiente doméstico.

Desafio às normas:
Ao acumular patrimônio, liderar negócios e exercer forte influência política, Dona Beja quebrou barreiras.

Validação do Estado:
O tombamento transforma o mito popular em patrimônio de Estado, garantindo que as futuras gerações compreendam a importância de uma mulher que influenciou eventos como a Revolução Liberal de 1842.

 – Preservação da Identidade Urbana de Araxá

Araxá passou por intensas modernizações ao longo do século 20 e 21. A salvaguarda desse imóvel garante a permanência de um ancoradouro visual e arquitetônico no centro da cidade. A preservação da estrutura colonial/imperial mantém viva a memória do período em que o município se consolidava como um importante entreposto comercial e político no interior de Minas Gerais.

 – Fomento ao Turismo Cultural e de Experiência

Com o selo de Patrimônio Cultural do Estado, o imóvel ganha relevância no circuito turístico de Minas Gerais.

Atração de investidores:
O tombamento abre portas para captação de recursos via Leis de Incentivo à Cultura (como a Lei Rouanet e o ICMS Patrimônio Cultural) para restauros e criação de centros culturais.

Ciclo Econômico:
O turismo histórico atrai viajantes interessados na “Minas Profunda”, movimentando a hotelaria, a gastronomia e o comércio local de Araxá, integrando a mística de Dona Beja ao roteiro das águas termais.

Comments are closed.