Estudantes do CEFET-MG Campus Araxá desenvolveram uma luva de dados de baixo custo capaz de identificar movimentos das mãos relacionados a letras da Língua Brasileira de Sinais (Libras). O projeto busca contribuir para a inclusão, o aprendizado da língua e a comunicação entre pessoas sinalizantes e não sinalizantes.

O trabalho foi realizado pelos alunos Deimiam R. da Cruz Mota, Gregory T. Ferreira Matsushita, Matheus S. Milagres e Ryan Yago Alves, sob orientação do professor Leandro Resende Mattioli e coorientação do professor Willian Martins Leão.

Como funciona

A luva utiliza sensores de flexão resistivos instalados nos dedos para identificar os movimentos realizados pelo usuário. As informações são processadas por um sistema embarcado, que interpreta as poses e reconhece as letras correspondentes.

O resultado é enviado para um aplicativo Android, responsável por formar palavras gradualmente. O sistema também utiliza um dicionário para sugerir possíveis combinações e pode reproduzir as palavras em áudio por meio da tecnologia de conversão de texto em fala.

A proposta é uma alternativa mais acessível às luvas de dados comerciais, normalmente utilizadas em aplicações de realidade virtual, teleoperação de robôs e interfaces naturais.

Resultados alcançados

Durante o desenvolvimento, foram coletados 437 registros de poses estáticas, correspondentes a 22 letras do alfabeto, realizadas por duas pessoas sinalizantes.

O classificador alcançou 96,28% de acurácia no treinamento e 81,82% nos testes. No entanto, os estudantes identificaram dificuldades para diferenciar alguns grupos de letras durante o uso em tempo real.

Para melhorar o desempenho, a equipe trabalha na implantação de uma arquitetura de classificação em cascata, com dois níveis de decisão.

Potencial de inclusão

Segundo os responsáveis pelo projeto, a luva pode ser utilizada em aplicações educacionais, especialmente no ensino de Libras com recursos de gamificação. O dispositivo também tem potencial para funcionar como um canal alternativo de comunicação para pessoas sinalizantes.

Os pesquisadores destacam que ainda são necessários novos testes e uma base de dados mais diversificada, com a participação de usuários diferentes. Mesmo assim, os resultados iniciais indicam que a tecnologia é viável e pode contribuir para reduzir barreiras de comunicação.

Com processamento dividido entre o sistema embarcado e o smartphone, o protótipo desenvolvido pelos alunos do CEFET Araxá alia inovação, acessibilidade e baixo custo, reforçando o papel da educação tecnológica na criação de soluções voltadas às necessidades da sociedade.

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