Fliaraxá terá como patrono Milton Santos, no centenário de nascimento, autor homenageado, o angolano José Eduardo Agualusa e a autora homenageada local a professora Maria de Lourdes Bittencourt de Vasconcellos

O Fliaraxá realiza sua 14ª edição de 14 a 17 de maio de 2026, no Teatro CBMM do Centro Cultural Uniaraxá, inaugurando uma nova fase em sua trajetória. Com o tema “Meu Lugar no Mundo”, o festival passa a organizar sua programação em territórios de pensamento e trilhas de sentido, consolidando um modelo inovador no cenário dos eventos literários brasileiros.

Com patrocínio da CBMM, via Lei Rouanet, o Fliaraxá 2026 distribui sua programação em cinco Territórios: Sentidos, Educação, Pertencimento, Formação e Criatividade. A proposta é integrar literatura, reflexão contemporânea, formação de leitores e desenvolvimento cultural local em um único ecossistema.

O 14º. Festival Literário Internacional de Araxá celebra os 100 anos de nascimento de Milton Santos, que será o Patrono do Fliaraxá 2026, e destaca o escritor angolano José Eduardo Agualusa como Autor Homenageado, ampliando o diálogo internacional e reafirmando o compromisso com a reflexão crítica e a literatura em língua portuguesa.

Participam desta edição nomes como Geni Núñez, Alexandre Coimbra Amaral, Bianca Santana, Leila Ferreira, Nina Santos, Gustavo Ziller, Marcelino Freire, Matheus Leitão, Sérgio Abranches e o escritor angolano José Eduardo Agualusa, promovendo encontros que estimulam diálogo direto entre autores e público.

A Escolha do Tema 

O tema “Meu Lugar no Mundo” parte de uma ideia essencial: cada pessoa tem um lugar no mundo que não se resume à casa ou ao ponto em que está. Esse lugar é o bairro, a escola e todos os espaços que se atravessa no cotidiano. É também o conjunto de pessoas à volta — a família, os amigos, os professores, os encontros e as ausências — e as histórias que se vive nesses caminhos. É aquilo em que se acredita e, sobretudo, a maneira como cada um se constrói como pessoa, física e afetiva, a partir dos vínculos que cria e das experiências que carrega.

Ao homenagear Milton Santos, o Fliaraxá aproxima o tema da noção de “território” como lugar vivido: o espaço em que estamos, onde estudamos, trabalhamos e convivemos, e que ganha sentido porque é habitado por relações, memórias e desejos. Por isso, “Meu Lugar no Mundo” se torna um convite aos estudantes para escreverem sobre como cada um se entende no próprio território, como se inclui nele e como se vê dentro dele. Por meio da literatura, a redação deve revelar como cada participante se reconhece no mundo e como os afetos, as experiências e os vínculos construídos no dia a dia ajudam a formar quem se é.

Esse redesenho nasce do diálogo com grandes encontros internacionais de criação e reflexão, como o SXSW (South by Southwest), realizado desde 1987 em Austin, nos Estados Unidos. A inspiração, no entanto, não está na reprodução de modelos, mas na ideia de festival como ecossistema vivo de ideias, traduzido para o nosso contexto cultural, social e simbólico.

Os Territórios e as Trilhas

O Território dos Sentidos concentra a programação noturna e é estruturado em quatro trilhas temáticas que dialogam diretamente com as questões do nosso tempo: Afeto, Amor e Identidade; Família, Solidão e Cuidado; Corpo, Saúde e Movimento; e Futuro, Tecnologia e Humanidade.

Durante o dia, o Território da Educação mobiliza escolas públicas e privadas com palestras e ações formativas. É nesse espaço que se realiza o tradicional Prêmio de Redação do Fliaraxá, que envolve estudantes de diferentes faixas etárias e, nesta edição, passa a incluir também alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). O prêmio começa dois meses antes do festival, ampliando seu impacto junto à rede escolar e incentivando a produção textual e o protagonismo juvenil.

O Território do Pertencimento, organizado em parceria com a Academia Araxaense de Letras, dedica-se exclusivamente aos autores de Araxá e da região, garantindo visibilidade à produção literária local e fortalecendo a identidade cultural da cidade. Já o Território da Formação concentra a programação infantil e juvenil, ampliando o envolvimento das famílias, enquanto o Território da Criatividade, conhecido como “Fliaraxá da Gente”, integra artesanato, gastronomia e economia criativa à programação cultural.

Gratuito e aberto ao público, o Fliaraxá reafirma seu compromisso com a democratização do acesso à cultura, a valorização do autor brasileiro e o fortalecimento do vínculo entre literatura e comunidade. Na 14ª edição, o festival consolida-se como espaço de diálogo, escuta e troca de experiências — um evento onde a literatura deixa de ser apenas assunto e se transforma em experiência compartilhada.

Prêmio de Redação ampliado para o EJA

No Território da Educação, o tradicional Prêmio de Redação do Fliaraxá assume, nesta edição, o tema “Meu Lugar no Mundo”, propondo aos estudantes um exercício de escrita que parte do cotidiano para chegar à identidade, ao pertencimento e ao cuidado com a comunidade. A ideia é ampliar a noção de “lugar” para além da casa: bairro, escola, caminhos, relações, histórias vividas, valores e afetos que formam cada pessoa. Em diálogo com o pensamento de Milton Santos sobre o “território” como espaço vivido, o prêmio convida cada participante a escrever como se reconhece no mundo, como se inclui nele e que vínculos o sustentam — transformando experiência em linguagem e fortalecendo o protagonismo. A novidade de 2026 é a criação de uma modalidade específica para alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), reunindo participantes de 18 a 80 anos, ampliando o alcance do prêmio e reafirmando que a literatura é um direito de todas as idades.

Novo livro de Agualusa em lançamento nacional

Autor homenageado do Fliaraxá 2026, o escritor angolano José Eduardo Agualusa fará no festival o lançamento de seu novo romance, Tudo Sobre Deus, editado pela Tusquets (Planeta).  No livro, Agualusa acompanha Leopoldo G. Borges, um homem atormentado que se retira para o deserto do Namibe e passa a viver numa antiga igreja abandonada, onde enfrenta a memória, a culpa e a perda da filha. Com uma escrita concisa e contemplativa, o romance mistura realidade e imaginação em um ambiente marcado pela filosofia animista africana, propondo uma reflexão literária sobre a finitude, o amor e a arte de despedir-se. No Fliaraxá, o público terá a oportunidade de conhecer a obra diretamente com o autor, em um dos encontros mais aguardados desta edição do festival.

Na sua 14ª edição, o Fliaraxá reafirma seu compromisso com a palavra viva, com o encontro e com a convicção de que a literatura segue sendo uma das mais potentes formas de imaginar futuros possíveis.

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