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Cultura e Arte

Publicado em:03/07/2018
:: Festival Literário :: Confira os vencedores do Prêmio de Redação Maria Amália Dumont de 2018
Foram no total 29 escolas participantes e 3.789 alunos da rede municipal de Educação

Os troféus foram entregues pelas autoras homenageadas. Foto Divulgação

Na manhã de sábado, dia 30, foi divulgado o resultado do Prêmio de Redação Maria Amália Dumont. Os troféus foram entregues pelas autoras homenageadas Ana Maria Machado e Marina Colasanti. Os alunos da rede pública de Araxá foram estimulados a escrever sobre o tema do festival de 2018, ou seja, Alma, Leitura e Revolução.

Foi um sucesso! 29 escolas, 3.789 alunos, e seis ganhadores. São eles: Rafaela Fernandes Balduino, 10 anos (segundo lugar, 9 a 11 anos); Maria Vitória de Paula (primeiro lugar, 9 a 11 anos); Yasmin Abadia Rodrigues (segundo lugar, 12 a 14 anos); Alexandre Porfírio Magriotis (primeiro lugar, 12 a 14 anos); Ana Luiza Ribeiro Ferreira (segundo lugar, 15 a 18 anos); Jordana Cárita de Oliveira (primeiro lugar, 15 a 18 anos).

O curador e idealizador do evento Afonso Borges falou da importância de influenciar a leitura, a escrita e principalmente, valorizar os autores do nosso país. “Não é todo lugar que tem Ana Maria Machado e Marina Colasanti. Elas são brasileiras, precisamos valorizar nossa cultura”, afirma.

Junto dele, Adriano Porfirio Rios, Gerente de Produção da CBMM e as homenageadas. “Precisamos inspirar e desafiar os jovens”, disse Ana Maria Machado. Para Marina Colasanti, saber escrever é uma exigência do mundo moderno e quem dominar a escrita. “Tenho duas filhas, elas não são escritoras, seguiram carreiras diferentes, mas elas sabem escrever”, diz.

Foram reconhecidas redações inscritas em três categorias. A primeira com textos de alunos de 09 a 11 anos; a segunda com estudantes de 12 a 14 anos e a terceira com jovens de 15 a 18 anos. Os dois primeiros vencedores por categoria vão receber, respectivamente R$1.000,00 e R$ 700.

Confira os vencedores por categoria

1° Lugar – CATEGORIA 9 A 11 ANOS
Nome: Maria Vitória De Paula Ferreira
Idade: 11 anos Série: 6A
Escola: Municipal Professora Romália Porfírio Azevedo Leite
Título: Alma, leitura e revolução

Achar que tudo vale a pena quando a lama não é pequena, é ter capacidade de sonhar alto, pensar que tudo vai dar certo, afinal é nossa alma que nos traz sentimentos bons ou ruins.

Juntar a alma elevada a uma boa leitura, pode ser o princípio de um movimento revolucionário na vida de cada ser humano. Desde o momento que se aprende os primeiros símbolos da escrita, consegue-se ler não somente os livros, mas imagens, placas, mapas, músicas, poesias e muito mais… Percebe-se então que é possível mudar a história da vida das pessoas. Se cada um fizer sua parte tentando ser melhor um dia após o outro, a mudança vai acontecendo naturalmente.

Às vezes fico pensando, alguém que não sabe ler, é como se fosse cego, porque olha as letras mas não enxerga o que está escrito.

É muito importante também interpretar o que se lê, para que ocorra a revolução de pensamentos e atitudes, porque mudanças inteligentes podem melhorar a condição de vida de todos os seres. E assim, pode acontecer a paz e harmonia entre os povos da terra.

2° Lugar – CATEGORIA 9 A 11 ANOS
Nome: Rafaela Fernandes Balduino
Idade: 10 Série: 5° Escola: Escola Estadual Eduardo Montandon
Título: A grandeza da alma

Quando escrevo coloco minha alma e tudo o que sinto no papel, porque os olhos enxergam o que é bonito e a alma enxerga o que é grande.

Quando leio não vejo apenas palavras escritas, mas com os meus sentimentos consigo enxergar a alma do escritor, e assim vejo quão grande é a riqueza de detalhes de cada linha.

Quando lemos, temos que saber ler com o coração, porque se não colocarmos os sentimentos na leitura, não compreenderemos o que está escrito.

Quando realmente nos entregamos a leitura, começa em nós a revolução que tanto precisamos, passamos a enxergar de outra maneira, de uma forma que nos acrescenta algo que ainda havíamos percebido. Então vamos para e pensar sobre o assunto, sobre a mudança que queremos para nós e para o mundo.

1° Lugar – CATEGORIA 12 A 14 ANOS
Nome: Alexandre Porfírio Magriatis
Idade: 13 anos Série: 8°
Escola: Colégio Atena
Título: A influência da literatura na minha vida

Eu procurava por um lugar onde toda a utopia imaginável seria possível, no qual todos os atributos um dia já cobiçados por mim, seriam finalmente alcançados, almejava uma terra sem limites. Sinto que procurava pela literatura, um mundo composto por palavras, textos e imagens; no qual toda a agrura presente na realidade seria esquecida. Foi assim que encontrei a literatura, um mundo em que cada vez que abria um livro explorava um lugar diferente.

Fui apresentado a heróis, deuses, magos, bruxos e monstros, que me ensinaram a encarar e superar as desavenças e dificuldades do mundo real, que me ensinaram a pensar e agir de forma revolucionária e atingir a evolução, e estão sempre alimentando e inspirando minha alma.

“As ocasiões levam às revoluções”, disse Machado de Assis. Várias foram as ocasiões que me tornaram amigos das palavras, aderindo-as ao meu dicionário e revolucionando meu modo de escrever, conscientizar e transferir para as folhas de um simples papel, um universo onde tudo é possível. É uma

Dessa maneira me envolvi com a cultura luminosa, gloriosa e esclarecedora de ideologias de vários autores. Deixei para trás a ignorância obscura, retrógrada e presunçosa. Voltei-me para a cultura , pois ela guia as pessoas ao longo de suas vidas, nas decisões, nos atos e no modo de pensar e compreender as virtudes. Entre parágrafos e letras, pontos e vírgulas, parênteses e aspas, me aventuro na interpretação

Nesse momento cultura e ignorância se degladiam com o intuito de seduzir. Resta-me optar… Revolução e evolução da minha alma, ou seria tudo apenas uma mera ilusão?

2° Lugar – CATEGORIA 12 A 14 ANOS
Nome: Yasmin Abadia Rodrigues de Oliveira
Idade: 14 anos Série: 9°
Escola: Aziz J. Chaer
Endereço: Rua Sebastião Vital de Oliveira, 265 – Ana Antônio
Título: O que a leitura me traz

A leitura me faz viajar, na mais simples imaginação. Me reflete cada palavra que leio, cada verso me inspira, reflete em minha alma. Me sinto leve, cheia de dúvidas, ao mesmo tempo cheia de sonhos. É como abrir a porta da mente, e deixar entrar só vibrações positivas. É meio difícil de explica, sabe? Mas é uma sensação boa.

A literatura evolui a cada dia, abordando vários temas. O melhor de tudo é que nunca acaba, sempre há uma palavra não dita , um verso esquecido, pedindo replay.

Colocar os sentimentos no papel não é fácil, mas é libertador. Sentir que um dia, alguém irá levar e irá concordar com suas opiniões, compartilhar dos medos, das suas inseguranças, das suas alegrias, do seu modo de pensar. Ou você mesmo, ler tudo de novo e refletir.

No momento em que eu leio, me sinto livre. Não é como pegar um celular e entrar em uma rede social. É diferente. É mágico. É como estar sozinha comigo mesmo e ter liberdade para fazer o que eu quiser.
É uma sensação de paz. Parece irônico dizer isso, em meio a tantas guerras, tanta corrupção, tanto ódio no coração das pessoas. Um livro pode trazer a paz. Não necessariamente o livro, mas o que há nele.

No meu entender, a leitura tem o poder até mesmo de apagar uma chama de ódio do coração.

1° Lugar – CATEGORIA 15 A 18 ANOS
Nome: Jordana Cárita de Oliveira Borges
Idade: 18 anos Série: 2° ano
Escola: Escola Estadual Vasco Santos
Endereço: Alameda Aconcágua, 65 – Monte Bello
Título: Revoluir

Passo a passo nos afastamos da ignorância através das várias leituras diárias… de poetas… de escritores e da própria vida.

Nossa alma se resplandece de conhecimentos que adquirem sabores doces ou amargos. A cada manhã nos preparamos para um novo recomeço, mesmo que a rotina seja o nosso guia e as viagens reais estejam bloqueadas ou suspensas.

Nossos caminhos cruzam com seres reais ou ausentes nas várias leituras fictícias ou verdadeiras. Aprendemos com quem viveu antes de Cristo e depois d’Ele. Hoje nos apaixonamos pelas ofertas grandiosas de pensadores, pesquisadores, romancistas, filósofos e repórteres. Captamos suas influências e gostamos ou desgostamos delas. Não importa. Cada um tem seu próprio estilo e seu livre arbítrio.

Passiva revolução vai sendo operada no nosso íntimo. As modificações são lentas, porém constantes. Como uma delicada operação mental nos libertamos de tabus e preconceitos para renascer e crescer. Essa transformação nos liberta. Há quem viva no ontem! Há quem viva no ontem! Há quem viva buscando o amanhã! Há quem faça do presente a melhor revolução pessoal! Há quem mude a si mesmo. E quem se muda…muda o mundo.

2° Lugar – CATEGORIA 15 A 18 ANOS
Nome: Ana Luiza Ribeiro Ferreira
Idade: 17 anos Série: 3° ano
Escola: Colégio Atena
Endereço: Alameda Aconcágua, 65 – Monte Bello
Título: E fez-se a luz

Lampiões eram os instrumentos utilizados por meu avô para iluminar seu velha e escura casa durante a noite.Tal objeto criava sombras que permitiam uma infinidade de interpretações. Para as crianças que temiam o anoitecer, com a descoberta das penumbras, passaram a brincar de adivinhações. A leitura, assim como o lampião de meu avô não só iluminou minha alma, como revolucionou minha capacidade de elucidar o mundo e recriar-me fazendo isso.

Este processo de recriação se faz análogo à alfabetização, quando o indivíduo aprende a ler palavras, além de ler o mundo ao seu redor. Fui alfabetizada aos quatro anos de idade, minha mãe aos sete, e minha avó sabia apenas assinar o próprio nome. Essa gradação representa também a idade com que iniciamos nosso ingresso ao mundo, já que aprender a ler e escrever é a primeira etapa a ser vencida na vida do indivíduo. Entretanto, mais tarde, torna-se a principal ferramenta para enfrentar quaisquer desafios.

Isso remete à clássica elucubração platônica quanto aos dois planos de existência. Estamos em constantes contato com duas realidades diferentes, uma sensível e outra inteligível assim definidas por Platão. A leitura serve como uma ponte permitindo a interação entre ambos os mundos, pois a partir dela se torna possível emergir ideias presentes na alma de forma de elas possam ser sentidas no mundo material. O primeiro contato entre a leitura e minha alma, permitiu-me colocar no papel ideias que acreditava serem imateriais, e fui capaz de vê-las se concretizando junto a mim, o que significou uma revolução.

Entendo, hoje, assim como o lampião era um instrumento necessário para meu avô, a leitura faz-se essencial para mim, pois as palavras são o elo entre mim e o mundo.