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Nutricionismo

Publicado em:14/10/2016
:: Saúde e Nutrição :: Dra. Cintia Nepomuceno e a alimentação após a cirurgia bariátrica. Fique Ligado...

É o nutricionista que tem a missão de montar um plano alimentar que se adeque às necessidades nutricionais, financeiras e sociais do paciente,

O trabalho da nutricionista vai muito além de contar calorias ou de apenas montar cardápio hipocalórica. É também respeitar a individualidade bioquímica do paciente, “afinal somos bioquimicamente diferentes, ou seja, o que é bom para um nem sempre é bom para o outro”.

É o nutricionista que tem a missão de montar um plano alimentar que se adeque às necessidades nutricionais, financeiras e sociais do paciente, não esquecendo que a suplementação é muito importante para o paciente bariátrico.

Nesta questão é necessário verificar a biodisponibilidade dos nutrientes e otimizar a absorção deles, mantendo uma boa microbiota intestinal e dando suporte suficiente para garantir disposição para realização das atividades diárias. Atividades que incluem o exercício físico, cujo papel é importantíssimo para o ganho de massa muscular que, por sua vez é responsável pela TMB (Taxa de Metabolismo Basal), um dos fatores fundamentais para colaborar com a perda de peso.

Em resumo, mesmo após finalizar o exercício físico, os músculos continuam gastando calorias, daí a necessidade em se exercitar.

E este trabalho é dividido em 3 etapas:

Pré-operatório da cirurgia bariátrica:

Esta fase corresponde a preparar o paciente para a cirurgia bariátrica, reduzindo o peso quando necessário, e melhorando o perfil lipídico e glicemia, além de proporcionar um bom aporte nutricional para detoxificação hepática e recuperação dos hepatócitos (células encontradas no fígado capazes de sintetizar proteínas). Melhorando ainda o déficit nutricional, quando existente.

Pós operatório imediato à cirurgia bariátrica: Um dos que considero o mais importante

Nesta etapa, acompanhar a evolução dietética com os objetivos de recuperar e otimizar a cicatrização pós-operatória, garantindo o aporte de vitaminas, minerais e proteínas.

“Aqui a evolução é semanal, com visitas mensais ao nutricionista, onde temos o desafio de fazer o paciente se adaptar à nova forma de se alimentar, trabalhando com a mastigação A alimentação neste período varia de acordo com o protocolo da equipe bariátrica (médico, psicólogo, nutricionista) que estará realizando o cuidado no pós-operatório.

Mas é no consenso que as equipes devam orientar uma dieta que permita o repouso gastrointestinal, visando uma cicatrização adequada, além de manter o paciente bem hidratado.

A alimentação nos primeiros 15 dias de cirurgia deve ser líquida e nos 15 dias subsequentes, pastosa A ingestão de líquidos deve ser dar no mínimo 1,5 litros/dia, incluindo caldo de carnes (boi ou ave ou peixe). Isso evitará a formação de cálculos renais. O paciente deve ingerir cerca de 20 ml de líquido (equivalente a ½ copo descartável de café) a cada 5 ou 6 minutos. Os alimentos permitidos neste período são: Nos primeiros 15 dias de pós-operatório (dieta líquida):

- Água (sem gás) e chás sem açúcar (exceto chá preto e mate);

- Suco de frutas frescas, coado, sem açúcar;

- Sucos concentrados light (sem adição de açúcar);

- Caldos de carnes (boi ou ave ou peixe) coados;

- Gelatina dietética (líquida);

- Água de coco;

- Bebida isotônica para os indivíduos que não são hipertensos e que não apresentem insuficiência renal;

- Leite desnatado, coalhada desnatada, iogurte natural desnatado ou iogurte light líquido são permitidos e podem ser consumidos puros ou na forma de vitamina de leite ou iogurte batido com frutas (coados) ou com achocolatado dietético;

- Leite e suco de soja light, tanto para pacientes intolerantes a leite de vaca como para os demais;

- Evitar a ingestão de sopas industrializadas (pacote) e o uso de temperos industrializados em função do alto teor de sódio e gordura vegetal.

- O uso de suplemento protéico, em pó, se faz necessário nesse período e será utilizado conforme prescrição do nutricionista.

Nos 15 dias subsequentes a dieta líquida (dieta pastosa):

- A quantidade e o volume de alimentos líquidos devem permanecer iguais aos permitidos anteriormente, ou seja, 20ml a cada 5 a 6 minutos;

- Não utilizar no primeiro mês nenhum alimento sólido;

- Caldos de carnes (bovina, ave, peixe), canjas, ou creme de legumes bem cozidos, amassados ou liquidificados e passados na peneira duas vezes, são permitidos;

- Caldos de feijão, lentilha e ervilha liquidificados e passados na peneira duas vezes, são permitidos;

- Gelatina dietética na consistência firme;

- As frutas também devem ser amassadas, raspadinhas e (ou) liquidificadas e passadas na peneira duas vezes (purê de frutas);

- Pudim dietético preparado com leite desnatado e adoçante dietético também podem ser ingeridos;

- As papas infantis (de frutas ou salgadas) industrializadas, podem ser ingeridas eventualmente;

- O uso de suplemento protéico, em pó, deve ser indicado e será utilizado conforme prescrição nutricional;

- A partir do segundo mês pós-cirúrgico, deve-se iniciar a ingestão de alimentos sólidos, sob orientação nutricional.

Como deve ser iniciada a alimentação sólida?

A alimentação sólida deve introduzida de forma gradativa. Os alimentos devem ser bem cozidos e de fácil digestão, com a intenção de diminuir as dificuldades ou intercorrências com a mastigação.

Alimentos como: arroz bem cozido e úmido, legumes cozidos e bem picados, feijão, ervilha, lentilha e grão de bico bem cozidos, peixes brancos e macios, carne moída bem cozida, ovo mexido mole, omelete, queijos, frios, pão francês ou de forma torrados e frutas, normalmente são bem tolerados nesta primeira fase.

Periodicamente, a dieta evoluirá para outros alimentos, até que o paciente possa comer de tudo. No início da alimentação sólida, o paciente deve cuidar para não ingerir mais alimentos do que o permitido pela sua nova capacidade gástrica. A capacidade gástrica neste período é de 4 a 6 colheres de sopa. Devem-se utilizar talheres e pratos de sobremesa para realizar as refeições. O uso de suplemento protéico, em pó, deve continuar sendo preconizado no pós-operatório e será utilizado conforme prescrição nutricional.

Qual a quantidade de proteína preconizada após a cirurgia bariátrica?

A quantidade mínima diária preconizada para os homens é de 65 gramas e para as mulheres de 55 gramas. O paciente deve ser orientado a utilizar suplementos protéicos em pó e de alto valor biológico, carnes, aves, peixes, ovos, leite e derivados lácteos já nos primeiros meses de pós-operatório, quando possível.

A ingestão de proteína deve ser avaliada periodicamente, em cada consulta nutricional.

Deve-se evitar a ingestão de doces e gorduras no pós-operatório?

O consumo de alimentos calóricos doces (pudins, sorvetes, milk shake, leite condensado, sucos com açúcar, refrigerantes) e gorduras podem causar a chamada Síndrome de Dumping, além de diminuir a perda de peso.

O Dumping é quando, depois de beber ou comer, o paciente apresenta taquicardia, sudorese, tontura e queda da pressão arterial. Pode sentir urgência em usar o banheiro (diarréia). Qualquer combinação destes sintomas pode ocorrer em graus variados de severidade, dependendo do que o paciente comeu.

Alguns pacientes sentem isto depois de comer uma grande quantidade de açúcares e outros, depois de alimentos muito gordurosos como sorvetes. O paciente não está proibido de consumir alimentos ricos em açúcares e gordura, porém, esses alimentos não devem fazer parte da sua rotina alimentar. A quantidade consumida deve ser controlada

Pós-operatório tardio

Por fim, o pós-operatório tardio tem o objetivo de melhorar hábitos alimentares, incluir novos alimentos que antes eram restritos para dar suporte à melhora da performance e ganho de massa muscular.

“Nesta fase também é feita a verificação de horários da alimentação para aperfeiçoar a absorção de suplementos e realizamos a observação da interação medicamentosa e alimentar. Assim verificamos a necessidade de reduzir a carga glicêmica da dieta para proporcionar melhor perda de peso e manutenção, evitando o reganho de peso”.

O paciente com obesidade precisa de ferramentas nutricionais e de estratégias psicológicas que o ajude nas mudanças quanto a sua forma de comer e de lidar com os seus problemas após a cirurgia. O objetivo de um nutricionista é fornecer essas ferramentas e ensinar as estratégias para o paciente.

Um abraço e até a próxima...
Nutricionismo
Cíntia Stefania Nepomuceno E-mail: Colunista desde: 2013-10-11 Dra. Cíntia Stefania Nepomucemo é formada em Nutrição pela Universidade de Franca – UNIFRAN. É natural de Araxá e já realizou vários cursos de aperfeiçoamento na área da saúde. Atualmente é uma das profissionais mais requisitadas em Araxá.