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Publicado em:09/01/2015
:: Comparações :: Renato Zupo e o IQA (Índice de Comparação do Ano). Entenda...

Que tal medirmos o Índice de Qualidade do Ano

Já pensou se pudéssemos comparar os anos que passaram, atribuindo-lhes nota, dizendo se um foi melhor que o outro? Épocas houve que foram trágicas ao ponto de tornar desnecessário qualificá-las.

Basta lembrar, por exemplo, do 11 de setembro de 2001, ou dos anos durante a segunda grande guerra. Mas aposto que, mesmo naquelas oportunidades, ocorreram coisas boas que as vezes nos passaram desapercebidas. Ou não. Como um exercício histórico, proponho que se comparem e se atribuam valores aos anos, já que hoje em dia tudo é estatístico e matemático.

Se medimos o IDH, o PIB, o IGPM, e por aí vai, que tal medirmos o IQA (índice de qualidade do ano)? Só assim para, concretamente, descobrirmos se estamos melhorando ou piorando. Vamos, então, comparar 2013 com 2014.

Para começar, é inevitável dar uma olhada nos obituários destes anos, em que famosos, bom ou ruim, morreram. Isto porque não podemos exercer uma clarividência anticientífica para tentar adivinhar quem de bom nasceu nestes dois anos. Então vamos lá.

Em 2013 perdemos o cineasta japonês Nagisa Oshima, o presidente venezuelano Hugo Chávez, o jurista norte mineiro Sálvio de Figueiredo Teixeira, a dama de ferro Margareth Thatcher, a escritora Doris Lessing, o rei da boemia Reginaldo Rossi e o folclórico Dominguinhos, além de Giuliano Gemma e do mais carismático deles todos, Nelson Mandela. Destas perdas, só Hugo Chavez é relativo. O resto nos doeu muito, principalmente Mandela, por sua importância histórica.

E em 2014? Morreu muita gente boa e famosa. Foi mais trágico. Vamos lá: Eduardo Campos, que quase virou uma eleição presidencial com a sua morte, encabeça a lista trágica. Gabriel Garcia Márquez e seus cem anos de solidão, Roberto Bolaños (o Chávez engraçado), Robin Williams, Ariano Suassuna, Rubem Alves, José Wilker, Antonio Ermírio de Morais, Paco de Lucia, Lauren Bacall e Shirley Temple, dentre vários outros.

Como se vê, o último ano foi bem mais trágico, perdendo de goleada para seu antecessor, o que também se verificou nos fatos históricos e jornalísticos dos dois anos. Vamos lá.

2013: a renúncia de um papa e a eleição de outro, argentino; o incêndio da Boate Kiss; bombas na maratona de Boston; manifestações populares e quebradeira na Copa das Confederações, que ganhamos; a quebra de Eike Batista; os condenados do mensalão foram presos e o Uruguai liberou a maconha. Estas três últimas notícias podem ser boas ou más, conforme o gosto do freguês.

Mas 2014 foi uma porcaria insuperável. Vejamos: a onda de intolerância e violência nas ruas se agigantou; um rojão matou um cinegrafista em uma passeata/baderna no Rio de Janeiro; com o fim do Mensalão iniciou o caso do Petrolão e dos escândalos asquerosos da Petrobrás, com ramificações nunca dantes vistas; a crise da água em São Paulo assustou muita gente por nossa incompetência em cuidar do meio ambiente e do uso racional de nossos recursos hídricos; a epidemia de Ebola na África se tornou uma grande tragédia mundial; demos um vexame em nossa caríssima copa do mundo doméstica, dentro e fora de campo; a inflação voltou avassaladora, e dizem as más línguas que para ficar, acarretando a maior alta do dólar dos últimos nove anos; embarcamos em uma recessão técnica em meio a atos racistas e questionáveis nos gramados dos campos de futebol, tudo culminando com a conturbada reeleição de Dilma Roussef.

Ufa! Dois anos difíceis, mas o último é insuperável em todos os sentidos negativos. Ou seja, em 2014 pouca coisa boa aconteceu, e muito fato lamentável surgiu ou veio à tona. Em uma escala de zero a dez, digamos que 2013 (que não foi um ano bom, decididamente) receberia uma honrosa nota 6,5. Já o recém enterrado 2014 não passou de uma nota quatro, e olhe lá. Mesmo assim, melhor que o nosso PIB. O Brasil está é piorando, olhando por este ângulo. E há outro?

Renato Zupo,
Juiz de Direito.
Justiça
Renato Zouain Zupo E-mail: Colunista desde: Agosto/2005 Juiz de Direito