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Publicado em:13/11/2014
:: Cruzada Literária :: Renato Zupo conta as aventuras e desventuras em terras internacionais. Confira...

Renato Zupo

Como disse na coluna passada, resolvi divulgar nossa cultura na Europa por ocasião do lançamento de meu segundo romance. Queria demonstrar que não somos um povo só de samba, favelas, bundas, feijoada e futebol, afugentando os estereótipos e rótulos que pairam sobre a imagem brasileira lá fora. Ou seja, uma maneira de valorizar a nossa gente praticamente exilada no exterior por motivos econômicos e carente de contato com suas raízes culturais e folclóricas.

Resolvi empreender uma espécie de cruzada literária. Fomos em grupo: eu e os colaboradores Ricardo Garcia, Ana Flávia e Edgar Thadeu, expedicionários valorosos cumprindo nossa missão cívica.

Dois raios num lugar só

Como também precisava olhar a cidadania italiana de meus filhos, resolvemos começar pela pátria de meus pais: o país da bota, a Itália. Por escassez de recursos financeiros, restringimos a viagem ao norte daquele país maravilhoso, próximos da fronteira com a Suíça e bem ao pé dos Alpes.

Estivemos entre Milão e Como, hospedados em ambas. Porque era mais barato, fomos e voltamos pela Alitalia. Tudo bem com os pilotos, foram vôos excelentes. Mas o despacho de bagagens... Já ouviram falar daquela história do raio que não cai no mesmo lugar duas vezes? Pois é, na minha cabeça eles caíram. É que extraviei bagagens na ida e na volta, por mais incrível que uma coincidência azarada dessa natureza possa acontecer com uma pessoa.

Ou melhor, extraviaram a minha bagagem, porque depois que você despacha suas malas no balcão do chek inn da companhia aérea elas se tornam virtuais, viram uma esperança tênue de que sejam reencontradas no seu destino final.

Jamais vou me esquecer da expectativa a beira daquelas esteiras rolantes tétricas, esperando por minutos e horas a chegada de seus pertences cada vez mais distantes e perdidos. Ainda bem que findaram por aparecer com algum atraso: na ida foi um dia e meio em que fiquei sem roupas para trocar, lavando de noite o que iria usar no dia seguinte, fora a expectativa de ter que comprar roupas novas em um país em que tudo é caro para os nossos bolsos.

Na volta, a mala extraviada era justamente aquela com os brinquedos e presentes mostrados para meus filhos através do skype e das imagens de internet. Os meninos ficaram dois dias chorando decepcionados até que a mala perdida surgiu como em um passe de mágica. Enfim, dos males o menor.

Falsas impressões

Se a Alitalia pisou feio na bola com minhas bagagens, não foi só nisso que me decepcionei com as coisas e empresas e pessoas do velho continente. Sabem, nós brasileiros temos a mania de pensar que tudo por aqui em nosso país não funciona bem e, ao contrário, tudo no primeiro mundo flui e se realiza às mil maravilhas. Eu, inclusive, ponho aqui a mão no fogo para reconhecer que sempre estive muitíssimo errado quanto a isso.

Lá, como cá, tem coisa certa e coisa errada, exemplos negativos e positivos de atividade empresarial e estatal, decepções e alegrias. Os aeroportos por exemplo. Passamos por vários, na Itália, Espanha e Brasil. O melhor, o mais organizado e o menos confuso deles todos, certamente, é o nosso aeroporto internacional de Guarulhos. E olhem que é o aeroporto do pós-copa, entulhado de gente e com funcionários mal humorados. Não é que Guarulhos seja um primor, mas é muito melhor que os dois aeroportos de Milão, incrivelmente pequenos para uma cidade daquele porte, a segunda da Itália e maior que Belo Horizonte.

Já o aeroporto de Madrid é o oposto: o maior do mundo. Você chega a quilômetros do local de embarcar ou desembarcar e gasta quase uma hora se deslocando a pé sem aviso sonoro de vôos, tendo que procurar anúncios de decolagens em outdoors eletrônicos confusos.

Por falar em confusão, não peça informações no aeroporto romano se não quiser passar vergonha. Aliás, os italianos não são bons informantes para turistas, principalmente os brasileiros. Não entendem patavina de português, não falam inglês e tem uma educação peculiar e brusca, só deles, sobre o que irei falar na próxima coluna.

Renato Zupo,
Juiz de Direito.
Justiça
Renato Zouain Zupo E-mail: Colunista desde: Agosto/2005 Juiz de Direito