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Cultura Latino americana

Publicado em:06/11/2014
:: Cultura Latino Americana :: Os desafios do magistério no Brasil. Entenda...

Professores são protagonistas de qualquer espaço geográfico onde se cultua uma nação

O magistério no Brasil tem sido empurrado ao precipício. Acima de qualquer diálogo, está um conflito de mentalidades que poucas vezes sabem bem como valorizar os professores. Em meio de tanta angústia pedagógica, insiro este texto com o fito de sintetizar a preocupação generalizada com as vias de educação nas quais nosso país transita, cavalga, engatinha.

Os fatos mais pungentes para o professorado são de que há desvalorização da classe e da função dos professores no Brasil. Não haveria sinalizações mais escabrosas que esta num país que, como o nosso, depende de melhoras na educação para desenlaçar a corda do pescoço de sua gente explorada.

Vemos, no entanto, que professores trabalham desmotivados com seus salários baixos e se remuneram pelo tempo em sala de aula, mas não pelo preparo das mesmas e por outros períodos de dedicação ao magistério; medidores governamentais de inclusão social dão aprovações automáticas, embora muitos estudantes tenham desempenho ruim; e escolas públicas viram locais de roubo, vandalismo, tráfico e ameaça a professores.

A verticalidade da relação entre professores e seus estudantes transforma-se numa horizontalidade desorientada em que estes surpreendentemente ditam as regras. Como se não bastasse, as tecnologias de comunicação (telefonia, informática, etc.) amiúde desviam a atenção de estudantes do conteúdo letivo às mensagens instantâneas do Facebook e do WhatsApp.

Deixo claro que minha crítica não desmerece a importância das tecnologias da comunicação para a pluralidade de ideias, mentalidades e opiniões que transcendem as salas de aula. O que chama mais atenção nesse progresso tecnológico é a mudança dos agentes educadores e do papel de professores na tarefa árdua de cidadanizar as crianças e os jovens no Brasil.

Assim, há os que defendem o ensino bilíngue em escolas infantis, e os que dependem de projetores de imagens e outros recursos tecnológicos. Decerto, as tecnologias de comunicação reinventam métodos pedagógicos e modernizam a relação que mencionei entre professores e seus estudantes. Contudo, não podemos ignorar que tais tecnologias são meios através dos quais vozes diversas cruzam-se e frequentemente entram em conflito.

A preocupação maior, neste ponto, é entender o que professores têm feito além de pedir o desligamento dos aparelhos celulares de seus estudantes durante as aulas.

Portanto, o desafio dos professores é convocar o interesse de seus estudantes no conteúdo didático em sala de aula no mesmo grau em que as tecnologias de comunicação fascinam e seduzem. Por isso, escolas e universidades propõem métodos pedagógicos alternativos, como o ensino a distância e os programas de intercâmbio que culminam em titulação dupla.

Porém, ao contrário do que se poderia imaginar, esses desafios não menosprezam o professorado, mas animam-nos a rever suas posturas e seus métodos. Professores nunca foram tão importantes como são neste momento em que crianças e jovens têm de crescer com referências educativas e cidadãs para a transformação sociocultural do Brasil que tanto queremos.

Professores são protagonistas de qualquer espaço geográfico onde se cultua uma nação. Logo, toda transformação prometedora e benéfica valoriza o professorado tanto no âmbito privado como no público. Essa mentalidade deve eclodir em todos os rincões brasileiros em prol das crianças e dos jovens que desejam um futuro de inclusão e realização.

Para isso, vamos cobrar menos e fazer mais. O Brasil guarda esperanças transformadoras.

Um abraço e até a próxima...

Cultura Latino americana
Bruno Peron Loureiro E-mail: l20@brunoperon.com.br Colunista desde: Fevereiro de 2013 Nasceu em Piracicaba, SP, Brasil. Conta com mais de trezentos artigos publicados em diversos meios impressos e digitais de comunicação de todo Brasil, parte dos quais dispõe de tradução ao espanhol pelo editor de Barómetro Internacional. A formação acadêmica multidisciplinar, internacionalista e latino-americanista advém do interesse em várias áreas de conhecimento e ação nos países da América Latina.

Estudou mestrado em Estudos Latino-americanos (2008-2009) pela Facultad de Filosofía y Letras (FFyL) na Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM). Obteve, nesta instituição de ensino público e gratuito, bolsa de estudos do Consejo Nacional de Ciencia y Tecnología (CONACyT), agência de financiamento de pesquisas do governo federal mexicano.

Cursou bacharelado em Relações Internacionais (2003-2006) pela Faculdade de História, Direito e Serviço Social (FHDSS) na Universidade Estadual Paulista (UNESP). Na graduação, contou com financiamento para realização de iniciação científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência de fomento à pesquisa do governo federal brasileiro.

Apesar de sua trajetória acadêmica e apreço pela vida universitária, segue um conceito atípico de labor. Já trabalhou como auxiliar administrativo e comprador em empresa, estagiário de associação comercial, professor de idiomas e voluntário de organização não-governamental. O ativismo cultural constrói-se pela atualização frequente em fontes diversas sobre a América Latina e o mundo.