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Publicado em:06/11/2014
:: Coluna Justiça :: Renato Zupo dá um “giro” pela Europa para lançamento de novo livro. Confira...

Vou tentar contar, nessa coluna e nas próximas, um pouco da minha experiência vivida em terras européias

Lusófonos

Sempre considerei o brasileiro que vive e trabalha no exterior um exilado econômico. Quando estive na França há cinco anos conheci conterrâneos nossos que viviam nas periferias das grandes cidades, com imensa saudade da terra natal, vivendo de empregos modestíssimos e sem dinheiro para comprar uma passagem aérea sequer, para visitar seus familiares.

Foi assim, por exemplo, que conheci um músico (acho que baterista) que tocava pela noite parisiense e era filho de uma ex-chacrete, como eram chamadas as vedetes do programa do Chacrinha de antigamente. Até conheci, pela TV, a mãe do sujeito, que ele não via faziam mais de dez anos, desde que deixara o Brasil em busca de dinheiro \"fácil\" na Europa.

Ledo engano. Dinheiro fácil nunca existiu e ele permaneceu em terras européias passando intensa dificuldade. Lembro-me, por exemplo, de ter-lhe presenteado com um maço de cigarros, que por lá é absurdamente caro. Ele agradeceu e aceitou o presente, como uma criança que recebe a um brinquedo.

Essa gente, portanto, que vive exilado lá fora, vez ou outra discriminados, precisa de alguma atenção, que nosso governo não consegue dar. São ainda, e também, e sempre, brasileiros! Com uma vontade enorme de poder ajudar, e porque em vias de lançar meu segundo romance, resolvi dar um giro pela Europa, fazendo uma viagem barata de mochileiro de parcos recursos que mataria dois coelhos com uma só cajadada: divulgaria minha obra e tentaria trazer um pouco da nossa cultura, presente em meus livros, para o público alvo brasileiro que reside lá fora e para o público lusófono em geral, que é como se chamam os povos que falam a língua portuguesa aqui e além mar.

Casas de Cultura

Na Europa, descobri uma coisa sensacional: as Casas de Cultura do Brasil. Pouca gente por aqui conhece. Foram criadas por Fernando Henrique Cardoso, mantidas por Lula, e ainda não foram destruídas por Dilma.

São espécies de braços culturais das nossas embaixadas e consulados, e existem para divulgar o nosso idioma e a nossa cultura pelo mundo afora. Toda cidade de porte médio para cima, na Europa, e que tenha embaixada ou consulado brasileiro, tem obrigatoriamente uma Casa de Cultura do Brasil. Menos em Milão. Por lá, no norte da Itália, descobri que nossa Casa de Cultura havia sido temporariamente fechada e estava de mudança para outro endereço por falta de pagamento de uma espécie de aluguel que por lá existe e é diferente do nosso aluguel convencional: na Itália, se você é pessoa jurídica, tem que pagar para funcionar, e não somente alugar o imóvel em que funciona.

Por esses e outros detalhes burocráticos e legais, a Casa de Cultura Brasileira em Milão estava fechada quando por lá estive, muito embora essa grande cidade italiana possua mais de cinquenta mil brasileiros, dos bons e dos maus, habitando por lá. Pena, porque nas outras que fui descobri, encantado, que permanecemos na moda por toda a Europa, e que estes locais são procuradíssimos por jovens europeus interessados em aprender o português brasileiro e viver e ganhar a vida no Brasil. Estranho, não?

Falei agora mesmo que somos exilados econômicos lá fora, e no exterior, no primeiro mundo, há gente jovem querendo vir para cá ganhar a vida. Parece que a galinha do vizinho é sempre mais gorda. Ou, como dizem os americanos: a grama é sempre mais verde do outro lado da montanha.

Apoio

Vou tentar contar, nessa coluna e nas próximas, um pouco da minha experiência vivida em terras européias. Se o leitor for paciente, talvez se surpreenda com o que descobri por lá. Antes, porém, é necessário acrescentar que não parti sozinho nessa empreitada, e tampouco fiz viagem idílica valendo-me somente de meus esforços e da minha coragem.

Precisei, e tive, apoio de muita gente bacana interessada em ajudar a mim e aos nossos conterrâneos em terras estrangeiras, ávidos de rever a cultura pátria. Engajaram-se de corpo e alma no projeto \"Rio da Lua\", que é o nome do meu novo romance, e vestiram literalmente a camisa não só do livro, mas também da minha ideia de poder difundir nossa cultura lá fora.

Segui viagem com a torcida de minha esposa Ana Paula, que aqui ficou cuidando de nossos filhos e torcendo por nossa causa. Viajei acompanhado pelos intrépidos Ricardo Garcia e sua esposa Ana Flávia, colaboradores excelentes, e por Edgar Tadeu, o marqueteiro do projeto.

Em terras européias também fui ciceroneado, hospedado e fiz contatos vários, graças a pessoas muito especiais. Vou falar delas nas próximas crônicas, e de muito mais gente boa e interessante que nos ajudou a levar o Brasil para os brasileiros que vivem lá fora. Até breve.

Renato Zupo,
Juiz de Direito.
Justiça
Renato Zouain Zupo E-mail: Colunista desde: Agosto/2005 Juiz de Direito