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Publicado em:31/10/2014
:: Festa da Democracia :: Renato Zupo analisa o processo eleitoral que “dividiu” o Brasil. Entenda...

Há pessoas aristocratas, bem nascidas, que são excelentes governantes para as classes menos favorecidas da população

Eleições 1

Para aqueles que consideram o candidato derrotado um burguês que nunca trabalhou, gostaria de dizer sou de Belo Horizonte, convivi com Aécio Neves desde o começo de sua carreira, pois somos meio contemporâneos, e nunca o considerei o político ideal, opinião abraçada pela maioria dos caras da minha geração.

No entanto, o candidato tucano evoluiu com a maturidade e foi um grande governador do Estado de Minas Gerais. É fato: nos surpreendeu. Se tornou um estadista. Falo isso porque sou juiz de direito e, como todo magistrado que se preza, sou apolítico. Não tenho partidarismos, não venero e nem odeio político algum, tampouco tenho predileções ou ojerizas por quaisquer partidos.

A figura aguerrida de Aécio na eleição presidencial demonstrou que eu estava errado, assim como a maioria daqueles que o criticavam: ele seria uma mudança, quem sabe para melhor, e se tornaria um Presidente da República bastante digno do cargo.

Eleições 2

Ainda para os detratores do candidato tucano: seu maior defeito foi ter nascido em berço esplêndido. Já disse aqui nessa coluna, e vou repetir, que se Aécio fosse negro, ou homossexual, ou índio, ou pobre, teria dado uma lavada em Dilma Roussef.

Tem uma classe especial de eleitores no Brasil que entende que o povão tem que votar no povão, e ponto final! Querem votar em quem é igual, e se esquecem de alguns detalhes interessantes. O primordial é que governar para o povo não significa ter um proletário no poder.

Há pessoas aristocratas, bem nascidas, que são excelentes governantes para as classes menos favorecidas da população. Tem gente que pensa diferente porque não conhece a história da humanidade, o que é uma lástima a ser debitada à falta de qualidade de nossas escolas. Lembro, aqui, da figura dos \"déspotas esclarecidos\", que eram reis, governantes portanto, que embora absolutistas e tiranos representaram um grande progresso para o povo no tempo em que governaram.

Há outro exemplo, esse atualíssimo: Chico Buarque, queridinho da esquerda e que manifestou seu voto publicamente nas últimas eleições. É sem dúvida um gênio que glorifica o Brasil. No entanto, é filho do maior historiador brasileiro de todos os tempos, Sérgio Buarque de Hollanda. Seu tio era o Auréllio, aquele mesmo do famoso dicionário Aurélio.

Chico também é irmão da Miúcha e cunhado do João Gilberto. Nasceu em berço esplêndido e é um burguês. No entanto, inegável o que fez pela valorização de nosso povo. Entenderam? Para ajudar aos pobres não é necessário ser nordestino, analfabeto ou representante de alguma minoria. Basta ter estofo intelectual e ser bem intencionado, independente do seu berço.

Eleições 3

Eu, por exemplo, também não venho da pobreza. Nasci filho da classe média alta, nunca tive dificuldades para comer, vestir, estudar ou morar. Estudei em escolas e faculdades privadas. No que me tornei? Um servidor público pessimamente remunerado que vive fazendo o possível e o impossível para atender bem ao contribuinte brasileiro.

Me dedico incondicionalmente ao meu trabalho, recebo todo mundo que quer falar comigo, faço o que posso para ajudar e jamais pensei em ficar rico. Se quisesse fortuna, teria permanecido na advocacia. Tenho uma vida digna, mas graças ao suor do meu trabalho e não à benevolência dos poderosos ou a conchavos e compadres. Se isso é ser burguês, é porque quem está olhando e interpretando é um imbecil que precisa de uma bandeira partidária para significar alguma coisa. O imbecil, sozinho, não vale nada.

Eleições 4

Eis que o jogador paraibano Hulk ficou chateado com um jornalista que falou mal dos nordestinos. Tomou as dores de seus conterrâneos. Puxa, o nordeste deve ser bom mesmo! Tanto que Hulk, ainda adolescente, abandonou os gramados de sua terra natal para ir jogar em times distantes e inexpressivos da Europa.

Já que o nordeste é tão bom, porque não vimos Hulk jogando pelo Sport Recife ou pelo Vitória da Bahia? E ele ainda piora tudo, citando exemplos de nordestinos ilustres! Vai de Graciliano Ramos a Renato Aragão, todos realmente brilhantes, mas que só alcançaram um lugar ao sol depois que saíram de sua terra em busca de realização profissional mais ao sul do país.

Já vivi naquela região inóspita do Brasil, que conheço bem. Trabalhei por lá e afianço: seu povo foi e é explorado, primeiro pelos coronéis, agora por bolsas governamentais que angariam votos dos miseráveis e ignorantes, só que com autorização legal.

Renato Zupo,
Juiz de Direito.
Justiça
Renato Zouain Zupo E-mail: Colunista desde: Agosto/2005 Juiz de Direito