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Cultura Latino americana

Publicado em:28/07/2014
:: Excelência Educacional? :: Bruno Peron em: Pensemos juntos na educação. Confira...

O que é possível fazer para estimular o interesse dos jovens nas escolas?

Pensemos juntos na educação

O que é possível fazer para estimular o interesse dos jovens nas escolas? Até o momento atual, estes espaços educativos são apenas condicionamentos precoces de crianças para que, quando elas cresçam, reconheçam suas condições como seres pobres ou ricos, ignaros ou letrados, marginais ou bem-sucedidos.

Assim, digo que escolas têm cumprido a função de funis que canalizam lágrimas de uma sociedade educacionalmente desigual em que o Estado desestimula enquanto o mercado seleciona através de cobrança de mensalidades.

Faço um exame breve do ensino secundário no Brasil, portanto sem avaliar o ensino superior. Aos poucos, demonstro que o problema da educação está menos nas universidades, como muitos educadores apregoam, e muito mais na mentalidade dos jovens que terminam o ensino secundário.

Esta etapa de sua formação é a que vai definir o nível dos cidadãos que se soltam nas arenas do mercado de trabalho e nas interações públicas. Não nos surpreendamos com que, na mesma calçada, seres mal-educados trombem com seres de nobreza cívica.

Para prosseguir meu raciocínio, é preocupante que os jovens tenham cada vez menos desejo de ir às escolas. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) indicam que somente 22,4% dos jovens de famílias pobres no Brasil completam o ensino secundário quando chegam aos 19 anos, enquanto 84,1% dos vinte por cento dos jovens de famílias mais ricas o terminam nesta idade (Priscilla Borges, iG Brasília, 29 de junho de 2014).

Ademais, meios de comunicação e profissionais da área informam-nos que escolas públicas são lugares de estrutura precária, professores desmotivados e sem autoridade, métodos enfadonhos de ensino-decoreba, tráfico de drogas, e provocações entre colegas que não se dão bem.

Quando gestores escolares fazem algum investimento em infraestrutura e tecnologia, escolas viram cenário de furtos e vandalismo. Mostra-se, assim, desrespeito com a formação dos jovens e denigrem-se tentativas de construção de um país com cidadãos.

A meu ver, há dois objetivos essenciais em relação ao ensino secundário no Brasil. O primeiro é o de reduzir a evasão escolar para que os jovens estimulem-se a frequentar regularmente as escolas. Mas não basta que essas pessoas estejam nas escolas. O segundo é a necessidade de melhorar também o aprendizado e as técnicas com que se formam nossos jovens. Só assim a chance será maior de que tenhamos mais afinidades cívicas com as outras pessoas com quem nos encontramos nas calçadas. Enquanto alguém pacientemente preserva a limpeza de logradouros públicos, o outro não hesita em cuspir nos pés daquele transeunte.

Na situação atual, o ensino secundário prepara para o êxito no vestibular, mas descuida a formação para a vida. Muitas vezes, ainda, os professores descontam seus fracassos em estudantes que aguardam estímulos de educadores em casa e nas instituições educativas. Aponto também a chatice da formação formulaica (e.g. fórmulas de física, matemática) em prejuízo do preparo cidadão. Isto ocorre porque, muitas vezes, o próprio professor é um meio-cidadão que tem pouco a oferecer a seus ouvintes ávidos de conhecimento.

Por isso, o processo de aprendizagem tem que ser lúdico e agradável. É preciso, igualmente, relacionar o aprendizado científico, social e técnico com assuntos que estudantes experimentam em seu dia-a-dia. É possível fazer isso com visitas a feiras e laboratórios. Assim sendo, há esperança num despertar de interesse dos jovens no ambiente escolar e nos conhecimentos que melhorariam suas relações com os outros e seu entendimento do mundo.

A vida é cheia de imprevistos, situações que exigem raciocínio e desafios de relacionamento. Assim, a remuneração de professores não é tão simples para resolver o problema da educação como a fração hora/aula sugere. O interesse dos jovens, por sua vez, depende muito de que suas famílias esperam deles e do modelo de Brasil que o Estado e as organizações privadas e civis desejam. Por conseguinte, a educação implica o entendimento de fases e processos de formação de cidadãos. E ela continua a moldar os adultos que povoam este país.
Por isso, leitor, é importante que pensemos juntos na educação.

Igualmente, estendamos as mãos aos que têm fome de mudanças.

Um abraço e até a próxima...

http://www.brunoperon.com.br
Cultura Latino americana
Bruno Peron Loureiro E-mail: l20@brunoperon.com.br Colunista desde: Fevereiro de 2013 Nasceu em Piracicaba, SP, Brasil. Conta com mais de trezentos artigos publicados em diversos meios impressos e digitais de comunicação de todo Brasil, parte dos quais dispõe de tradução ao espanhol pelo editor de Barómetro Internacional. A formação acadêmica multidisciplinar, internacionalista e latino-americanista advém do interesse em várias áreas de conhecimento e ação nos países da América Latina.

Estudou mestrado em Estudos Latino-americanos (2008-2009) pela Facultad de Filosofía y Letras (FFyL) na Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM). Obteve, nesta instituição de ensino público e gratuito, bolsa de estudos do Consejo Nacional de Ciencia y Tecnología (CONACyT), agência de financiamento de pesquisas do governo federal mexicano.

Cursou bacharelado em Relações Internacionais (2003-2006) pela Faculdade de História, Direito e Serviço Social (FHDSS) na Universidade Estadual Paulista (UNESP). Na graduação, contou com financiamento para realização de iniciação científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência de fomento à pesquisa do governo federal brasileiro.

Apesar de sua trajetória acadêmica e apreço pela vida universitária, segue um conceito atípico de labor. Já trabalhou como auxiliar administrativo e comprador em empresa, estagiário de associação comercial, professor de idiomas e voluntário de organização não-governamental. O ativismo cultural constrói-se pela atualização frequente em fontes diversas sobre a América Latina e o mundo.